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Festividades e Manifestações Culturais
Através das festividades e manifestações culturais o povo exprime seu modo de vida, nelas representado pelas tradições. Fiéis e festeiros de todas as classes sociais e de todas as regiões do Brasil se unem numa comunhão de cultos originários da época colonial.
Nas festas de origem católica, o tema sempre gira torno da celebração da vida, morte e ressurreição de Cristo, da Virgem Maria e dos santos milagrosos.
Apesar da predominância de valores de origem européia, o calendário das festas populares no Brasil tem uma estreita relação com a influência africana, conforme se verifica em manifestações como o Maracatu em Pernambuco, a Festa de Iemanjá, o Nego Fugido, dentre outras.
Essas manifestações pertencem ao coletivo e são de cunho religioso ou celebrações sacro-profanas, como as Festas Juninas, Congadas, Festa do Judas, além das manifestações associadas às safras agrícolas.
Ademais de renovar os costumes religiosos do povo brasileiro, essas festas ditam o ritmo da vida e o cotidiano das comunidades rurais. Na época do plantio, são evocadas as entidades divinas para a proteção da colheita, à semelhança do que acontece com os pescadores, que reverenciam as divindades da água e fazem oferendas para obter uma boa pescaria.
Em conformidade com diversas culturas, após a colheita, a fartura da safra é marcada por manifestações ruidosas e festivas, com comilanças coletivas, como as vaquejadas e rodeios.
O Sincretismo religioso no Brasil
O início do nosso processo colonizador foi marcado pela influência exercida pelos padres católicos que cruzaram o Atlântico com o intuito de catequizar os habitantes da nova terra.
Os Jesuítas foram expulsos do Brasil pela política de Pombal, interrompendo o processo catequético e educativo a que haviam se dedicado desde 1549, e que deixou marcas profundas até os dias atuais. O modelo católico imposto pelos portugueses, apesar de dominador, acabou se transformando e se adaptando ao imaginário mescla de africano e indígena.
Os indígenas já demarcavam lugares sagrados na natureza como rios, pedras, árvores e montanhas. Os africanos, por sua vez, trouxeram do seu continente os orixás, que vivem em harmonia com a natureza e exigem obrigações e oferendas também colocadas nas matas, no mar ou nos rios.
Na verdade, criou-se uma nova forma de reverenciar os orixás, completamente genuína, onde apenas a oralidade dos ensinamentos passados por gerações vão sendo mantidos nas diversas nações que preservam as tradições, um estratagema para dar continuidade às manifestações que muito contribuíram para a cultura brasileira.
Não é de hoje, portanto, a forte relação que o povo brasileiro tem com a natureza, cuja origem se encontra na ancestralidade indígena e africana de respeitar as forças naturais e delas tirar as explicações para a vida em harmonia com a comunidade. Os católicos colonizadores, sem abolir totalmente os ritmos africanos e indígenas, aproveitaram essas manifestações corporais e apenas as ordenaram em forma de procissões, como forma de externar a fé das comunidades.
A expressão da religiosidade se expandiu em cantos e danças, revelando-se pelas ruas, praças, mares e rios.
As Grandes Fontes Culturais
Portuguesa
A presença Portuguesa e a histórica atuação da igreja foram primordiais para o fato do Brasil ser hoje o maior pais de fé católica em todo o mundo e ter um calendário variado de festas religiosas.
No Brasil colônia, as irmandades religiosas compostas por irmãos leigos tinham obrigações, sujeitas a multas se não cumpridas, que iam desde o custeamento de festas e cortejos até rígidas normas de conduta religiosa. Pertencer a uma irmandade ou ordem terceira era sinônimo de status social inequívoco de um cidadão.
Indígena
A política oficial em relação ao índio durante séculos foi de extermínio físico e cultural. A evangelização jesuíta, seguida pelo massacre por parte de bandeirantes, foi regra durante por muito tempo. Diante disto, a aculturação se tornou inevitável e não há retorno para a perda de valores próprios e incorporação de outros.
Africana
No Brasil, a escravidão de negros intensificou-se a partir de 1570, depois da fracassada investida contra os índios que, além de resistir à escravidão, tinham baixa produtividade ou eram dizimados por epidemias de origem européia.
Em 1559, a Coroa Portuguesa liberou para cada senhor de engenho a aquisição de 120 escravos por ano.
O comércio assim permitido e intensificado se desenvolveu em várias regiões africanas. Na costa ocidental, a vasta região do Senegal e Angola. Na região central, o Congo e o Zaire. Na costa oriental, Moçambique e possivelmente Madagascar, até a África do Norte.
A captura era feita de forma indistinta e por ocasião do embarque no porto, o conhecimento da origem e etnias tribais se perdia na mescla das várias nações representadas.
As estimativas mostram números que variam de três milhões a treze milhões e meio de negros comercializados, sendo que o índice de mortos na travessia era de 15% a 20%.
Estudos mais recentes apontam que os Sudaneses (Iorubas e Daomeanos) e Bantos (Angolanos, Congos e Moçambicanos) constituíam a maioria dos escravos negros trazidos ao Brasil.
Quanto à religiosidade, os povos islamizados se voltam mais ao culto dos antepassados, adoram os orixás e vodus, vistos como forças da natureza ou antepassados divinizados.
São os Negros africanos e seus descendentes que contribuem até hoje com suas tradições para a riqueza cultural do Brasil, através da energia e vibração de suas festividades de característica singular.
: Bumba Meu Boi
: Caboclinho
: Carnaval de Maragogipe
: Esmola Cantada da Ladeira da Cadeia
: Festa D'Ajuda
: Festa de Iemanjá
: Festa de Iansã
: Festividades Juninas
: Irmandade da Boa Morte
: Lavagem do Bonfim
: Maracatu
: Nego Fugido
: Samba de Roda
